Apenas por pessoas de alma já formada

quinta-feira, 30 de abril de 2009

E agora?

Ela é perfeita. Tem um sorriso que ilumina o planeta, um olhar encantador, uma voz agradabilíssima e um cabelo digno de comercial de xampu. Ela vem até mim com seus olhos cor de mel, cabelos esvoaçantes, toda risonha me pedindo para amiga dela ser. Eu não quero alguém tão perfeito assim ao meu lado. Digo para ir embora. Xô! O mel começa, então, a derreter e de seus olhos eu vejo lágrimas escaparem. Ela se sente sozinha. Eu não fui a primeira a fugir de sua perfeição. Ela fala que também tem defeitos. Que também chora, sofre, leva fora. Até sofre mais, porque, para manter aquele corpo e aquela pele, ela não come chocolate, massa, fritura. Apenas salada, salada e salada. Diz também que pode ter vários caras aos seus pés, mas nenhum a quer pelo que ela realmente é. Ela é perfeita, mas infeliz. Eu sou imperfeita, mas sempre tenho uma colher com brigadeiro de panela para me socorrer. Então, eu a aceito como amiga. Podemos ser diferentes, mas todas nós temos defeitos.

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quarta-feira, 29 de abril de 2009

Weakness

Há uma vantagem em ser fraco: a fraqueza te torna mais forte. Sempre fui bem sociável. Eis o meu erro. Pessoas perfeitamente inclusas na sociedade humana não têm sobre o que falar. Talvez, se não me encaixasse, com mais rapidez teria descoberto o que tão tarde percebi: tenho muito sobre o que falar (mesmo perfeitamente encaixada). A verdade é que, mesmo que o encaixe seja perfeito, você cresce e se torna maior que o espaço a você destinado. Minha alma está crescendo. Inquieta meu corpo. Dói até respirar. Sinto seu peso sobre mim. Quer ser maior do que é. Quer crescer mais do que já está. O que fazer quando o que você é no momento não é mais o suficiente para você?
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terça-feira, 28 de abril de 2009

Cena:

Você segura seu pequeno cão no colo com cuidado, gentilmente, não consegue parar de fazer-lhe carinho. Com o tempo, você passa a querer abraçá-lo e a cada dia que passa você o faz com mais intensidade. Até que você percebe que começa a usar a força. Abraça seu cão cada vez mais forte, tão forte que começa a nele doer. Os segundos se transformam em minutos. A dor torna-se mais aguda. Você começa a sufocá-lo. Ele quer sair do seu colo. Fugir de seu abraço. No início, o abraço, carinho e colo eram bons, mas com o tempo de repente tudo se tornou insuportável. O cão quer sair. Remexe-se, pressiona suas patas contra aquele peito que um dia já lhe fora confortável. Não consegue. Você o abraça muito forte. O cão tenta. Tenta mais uma vez. Até que percebe. Você é alto. Se ele conseguir se soltar finalmente, a dor que agora o atormenta cessará, mas a queda trará uma dor ainda maior. O que fazer? Não resta nada ao cão fazer. Apenas a você. Ou soltá-lo aos poucos, aproximando-o do chão. Ou diminuir a intensidade de seu abraço, voltando a torná-lo aconchegante a seu cão. O cão talvez ainda queira se soltar de qualquer maneira. Experiências assim traumatizam o coração.
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segunda-feira, 27 de abril de 2009

Caixa de memórias

Guardei todas as nossas lembranças em uma caixa grande e resistente, bem longe de meu coração e ali ela ficou. Sempre que me lembrava de sua existência, ia lá conferir se ainda estava onde deixei. Não a abria, nem tão pouco mexia nas coisas que escondido ali eu havia. No entanto, um dia, vi que meu coração escondido visitava a caixa com bem mais freqüência do que eu fazia.
- O que estás a fazer aqui, coração?
- Vim visitar a caixa.
- Coisa feia, coração. Se criei essa caixa foi justamente para de ti ficar longe.
- Não faz mal. Não consigo abrí-la. Nem tento. Mas me faz bem próximo dela ficar, por isso aqui venho.
- Pois não quero mais que venhas aqui, coração. Não se engane. Não lhe faz nenhum bem.
- Ok. Então, me deixe ao menos ver o que nela tem pela última vez?
- Se deixar, prometes não mais voltar?
- Sim.
Então, abri a caixa, mas não vi meu coração se alegrar.
- O que houve, coração?
- As coisas aqui escondidas...
- O que tem elas?
- Eram bem melhores em minhas lembranças. Não valem a pena. Pode fechá-las. Não mais quero vê-las.
- Eu disse que não te faria bem.
E, orgulhosa por certa estar, fechei a caixa com um sorriso no rosto tão egoísta que, de repente, sumiu ao ver tão triste meu coração. Ele só sabia amar. E agora, o que faria, se nem amar mais podia?
- Tu vais amar de novo, coração.
- Sim, eu sei. Mas como é triste ver tanto amor evaporar assim...
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domingo, 19 de abril de 2009

Camaleoa

- Ai, vai ficar muito vermelho.
- Não, não vai. E mesmo que fique, não vai ser o fim do mundo.
- Lógico que vai. Eu sou amarela. Vermelho não combina com pessoas que tem a cor de pele amarela como eu.
- Ai, cansei. Quando você terminar de se lamuriar e finalmente tirar essa tintura do cabelo, me chama que a gente conversa.
Depois de alguns minutos.
- Ué, cadê?
- Não ficou vermelho. AHhhh!!
- Mas não era isso que você queria? Que não ficasse vermelho?
- Não, eu QUERIA que ficasse vermelho. Eu só estava com medo de que ficasse MUITO MAIS vermelho do que eu queria, mas não ficou NADA vermelho. Que droga! Deixei de ser loira para voltar a ser morena?
- Eu não te entendo.
- Nem eu. Eu fiquei com cara de velha, não fiquei?
- Não, não ficou. Ficou só mais... madura.
- Sei...
Madura = velha = arrependida = volto a ficar loira antes do show do Nando Reis sábado e antes de ele vir no domingo. Ai ai...
- Eu não entendo por que você sempre faz isso.
- Isso o quê? Pinto o cabelo drasticamente?
- Não. Eu não entendo por que você acha de pintar o cabelo drasticamente justo no dia das festas da tua família.
- É, nem eu.
Resultado: Vanessa enclausurada no quarto, se lamuriando pela cor do cabelo e comendo bolo de chocolate da festa de aniversário de seu pai.
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sexta-feira, 17 de abril de 2009

Horizonte

Vejo algo longe demais para ser compreendido. Está há dias, horas, minutos, talvez, de mim distante, mas ainda assim não me atrevo a decifrá-lo. É enigmático demais para ser desvendado. Ele de mim foge. Foge de todos. É tão inconstante, imprevisível, embora bastante querido. Todos querem saber a respeito dele. Mas eu dele já desisti há muito tempo. Nunca poderemos alcançá-lo, está em sua essência. Assim foi criado. Ele tem dois amigos, mas só um deles me interessa. Um que não é fugitivo, que me permite sempre ter controle sobre a situação. O que quero fazer, faço. Ele não me impede, nem paciência me diz para ter. Pelo contrário, me incentiva a fazer tudo sem olhar para seus dois amigos. Por isso, o escolho. Desculpa, Futuro, se te renego, assim como a teu amigo, o Passado, e prefiro ficar com o tão menos incerto Presente.

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Por um mundo melhor

Se eu pudesse voltar ao passado, convenceria o inventor do plástico (assim como o inventor das armas) de que esse não seria seu maior e melhor feito. Daria amor a uma criança chamada George W. Bush, contando-lhe histórias sobre como praticar a paz traz mais alegria e dignidade do que praticar a guerra. Diria “não, aqui não!” aos navios portugueses que cá atracaram quinhentos anos atrás. Ensinaria o valor da desigualdade racial a um adolescente rebelde chamado Hittler. Diria aos Mamonas Assassinas para confiarem mais em seus sonhos. Aconselharia John Lennon a tomar mais cuidado com seus fãs. Pediria a Kurt Cobain para abençoar-nos com seu futuro musical ao invés de privar-nos dele. Mostraria a Getúlio Vargas o que a história diz hoje sobre ele e seu ditador governo. Lembraria a Cazuza e a Renato Russo a importância do sexo seguro e me uniria a Che Guevara em seus diários de motocicleta, voltando ao futuro apenas para saber se minhas mudanças geraram algum beneficente efeito. Talvez assim encontrasse um mundo mais pacífico e saudável, um Brasil mais rico e meus ídolos ainda vivos cantarolando musicas perdidas pelo destino.

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...mas se pudesse modificar apenas uma coisa no passado, ao invés de todas essas, com certeza seria aquela noite na qual eu acanhada não retribuí seu olhar. Hoje em dia, você não mais me olha, porque achou alguém que, diferente de mim, encontrou seus olhos. E o arrependimento pulsa tão forte dentro de mim que sonho todas as noites no que deveria, mas deixei de ter feito. Foi. Passou. Não existe uma máquina do tempo e não há como voltar ao passado, mas, se houvesse, nós com certeza viveríamos em um mundo melhor no qual você seria meu e eu seria sua.
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quinta-feira, 16 de abril de 2009

De repente 30... de repente cinta!

(sinta, minta, tinta, grita, SOCORROOO!)
.
Oh, God! O tempo passou e eu não percebi. Virei uma Briget Jones, exatamente o que eu nunca quis. Continuei atrapalhada, desastrada, avoada e tudo mais de ruim. Meus defeitos continuam aqui. Não mudaram de lugar. Acho que até afloraram. Bebo, fumo, como horrores e nem um exercício sequer faço. Apenas uma cinta uso, pensando que as coitadas modeladoras de corpo fazem milagre. Hellooo, não fecha a boca, não, para você ver... Logo eu que me estagnar nos dezesseis sempre quis, me vejo agora nos 30 sozinha, gorda, alcoólatra e fumante inveterada. Peraí, a campainha tá tocando. Oh, God! Quem será?
- Oláááá, queridaaaa! (três loucos me esperam na porta)
- (eu, sem nada responder, começo a chorar)
- Ah, de novo, não. Ela ainda não se recuperou do aniversário dela da semana passada?
- Não sei. P/ mim ontem ela estava melhor...
- Darlin, não fica assim...
Depois de um tempo.
Olá, gente! Voltei. Sim, já estou melhor. Ao menos já parei de chorar. Aparentemente, esse é o décimo segundo surto do mês e, ao ouvir o décimo segundo discurso de meus calorosos amigos, feliz voltei. Eles conversaram bastante comigo e não é que eu não estou tão mal quanto pensei!? Segundo eles (sim, segundo eles, porque estou com uma amnésia momentânea e não lembro de nada dos meus vinte anos p/ cá), tenho um apê que não fica na cobertura, mas fica perto da praia, é bem decorado e o mais importante MEU. Não é tipo alugado, nem nada disso. E eu não estou tão sozinha. Tenho amigos que, no mínimo, me amam (afinal, aturar doze surtos não é para qualquer um) e tenho um namorado que não é um deus grego, mas chega perto disso e, assim como meus amigos, me ama do jeito que eu sou. Sim, estou um pouco acima do peso, quanto a isso não me enganei. Mas se aos dezesseis anos eu não estava satisfeita com o meu peso, não é aos trinta que eu vou estar, né? Mas acho que estou até gostosa, pelo menos foi isso que um cara de aparentemente vinte e poucos anos gritou para mim na rua há pouco. Agora estou indo numa livraria comprar livros (dã) e depois comprar algumas roupas, porque, pasmem, não é que eu ganho bem? Meu salário é melhor do que esperava e... Peraí, tem alguém me ligando... Ai, que fofo! É o meu deus grego! Tô indo, gente. O corpo, a mente e a conta bancária mudaram, mas o coração pelo visto não mudou nadinha... Kisses.

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quarta-feira, 15 de abril de 2009

CAPRICHO


Revista Capricho edição 1068, 12 de Abril de 2009. Olha só, segunda postagem feita para o Tudo de Blog e já estou ali, a primeira foto da esquerda para a direita. Sei que foi rápido, mas para mim pareceu uma eternidade. Desculpa, gente, não sou presunçosa, não me acho nem nada, tanto porque prefiro o texto completo do que a edição que saiu na revista, mas eu estou tão feliz que tive que escrever algo aqui e me exibir um pouco. Nathy, valeu, eu sei que o espaço é pequeno e não dá para fazer milagre. Se quiserem ler o texto na íntegra aqui vai o link...
http://deliriosdeumamenteinconstante.blogspot.com/2009/03/entrevistando.html
P.S. Agora a pergunta que não quer calar: quando será a próxima vez? Sorte de principiante? Tomara que a sorte continue do meu lado. Beijão, gente.
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terça-feira, 14 de abril de 2009

Surto

Ao olhar dos outros, você enlouqueceu. Todos de você fugiram. Menos eu. Eu, que sempre conheci você melhor do que qualquer um, não me assustei com sua atitude. Pelo contrário, preocupada me aproximei. Você ainda estava na defensiva. Parecia não me reconhecer. Cheguei mais perto, você gritou. Tentei me aproximar ainda mais, você rosnou. Mas não tremi como os outros. Toquei seu rosto. Você nada fez. Não me atacou. Estava com medo. Assustado apenas. Como tudo pode ter mudado assim tão de repente? Você tinha medo de tudo que se movia. Queria ficar ali estático. Assim, com a loucura dos outros, não se surpreenderia. Os outros tentam distorcer sua realidade a todo momento. Tentam enlouquecê-lo. Mas não eu.
- Meu amor, não tenha medo de mim.
- Não se aproxime dele. Não faça isso – os outros me diziam.
- O que demais estou fazendo? Saiam vocês daqui. Eu sou dele e ele é meu. Não me machucará, nem eu o machucarei.
- (ele, assustado com tamanha confiança, me olha)
- Eu não vou a lugar algum, meu irmão.
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segunda-feira, 13 de abril de 2009

Amor

- Acaricie meus cabelos. Deite aqui do meu lado. Brinque comigo. Desvende junto a mim o que aquelas formas ali tentam dizer. Vê? Algumas estão esfumaçadas demais. Mas vê aquela ali? Parece um dinossauro. O que parece a você? Ah, como é bom estar aqui deitada. Sente o cheiro de terra molhada? Não, não pára. Gosto quando mexe assim em meus cabelos. Poderia dormir até. Se dormir realmente, você promete me proteger? Quero nossos narizes se encostando. Vire-se a mim. Estou muito mandona. O que quer você, amor?
- Só olhar teus olhos, tchê, como já olho agora.
Não peço mais nada. Tudo está perfeito assim. Só peço para o tempo não passar. Já era. Passou. Mas não em meus pensamentos. Neles este momento vai ser eterno e já é.
(silêncio)
- (sem perceber durmo)
- (sem perceber ele se apaixona ainda mais ao me ver dormir)
- (acordo) Que frio!
- Vem cá. (encosta minha cabeça em seu peito e dá-me um abraço)
- (e percebendo tanto amor nascendo em meu peito, sem controle, digo) Te amo!
- (...)
Estraguei o momento?
- (...)
Este silêncio quer dizer que sim?
- (um beijo na testa)
Sim, estraguei. Não há traço maior de amizade do que um beijo na testa. Mas ao longe ouço um tímido...
- Também, minha vida.
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domingo, 12 de abril de 2009

Retrato

Ela nada fez. Parada, continuou, na porta da frente de sua casa, esperando que ele, arrependido, voltasse correndo para seus braços. Mas não aconteceu. Nem mesmo um olhar para trás ele deu a ela. Apenas partiu sem sequer olhar para a garota a quem acabara de abandonar. E ela permaneceu ali parada na porta da frente de sua casa.
Mesmo depois de alguns dias, meses, anos, não se sabe ao certo, mesmo quando já havia adquirido uma rotina sem nele pensar, ainda assim não fora mais a mesma. A garota que era sumiu. E digo-lhe de certo onde a garota antiga deve estar. De onde jamais partiu: na porta da frente de sua casa, parada, esperando ele voltar.
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sexta-feira, 10 de abril de 2009

Cabeça vazia, oficina do diabo

Quisera eu que existisse uma pílula instantânea para esquecer ex-namorados, ex-ficantes, ex-amores. Mas infelizmente não há. E temo por quais seriam seus efeitos colaterais. Será que levaria embora todas as lembranças boas que passamos juntos? Levaria para longe da memória todos os beijos e abraços roubados, todos os risos e choros sentidos? Não, preferiria uma solução que na minha opinião é infalível: conhecer outro. É isso, gente. Apaixonar-se por outra pessoa é a melhor solução que conheço para esquecer quem agora queremos bem longe de nós. A mente precisa manter-se ocupada. E alguém conhece uma ocupação mais prazerosa do que a paixão? Sei que não é fácil, mas quando a mente muito quer, o cupido ajuda e o coração cede, cansado de sofrer por quem não merece.

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