Apenas por pessoas de alma já formada

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Confissão

Ok. Preciso desabafar, pois sei que, de certa forma, me deixará melhor: vê-lo com outra partiu meu coração. Eis a verdade que temo não aguentar manter dentro de mim por mais tempo. Sei que não daria certo, mas vê-lo desistir, sem ao menos tentar, dói em mim. Pior: lateja constantemente o peito.
posted by mente inconstante at 17:41 1 comments

sexta-feira, 28 de maio de 2010

All we need is love

Ela não estava machucada. A solidão ainda não conseguia machucá-la dessa forma. Mas ela ainda sentia como se estivesse realmente ferida. Seu peito se comprimia a cada respiração dada e ela sentia que quase poderia chorar. Ela mais cedo ou mais tarde, choraria. A qualquer momento ela expeliria toda aquela dor através de lágrimas. É claro que não resolveria. Ela continuaria tão sozinha quanto antes.
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O que ela queria não era seus amigos. Embora pudesse ajudar, apenas amenizaria. Não remediaria. O que queria, então? Ela queria que ele ligasse. Ela queria que ele a procurasse. Que visse em seus olhos o quanto estava carente. O quanto precisava de um abraço que fosse. Ela desejava que fossem os dois felizes para sempre. Ela sabia que, mais cedo ou mais tarde, a tristeza apareceria novamente, mesmo juntos. Sabia que brigariam por motivos bobos. Gritariam bobagens das quais se arrependeriam depois. Mas ela não estaria sentindo a solidão latejar dentro de si como sente agora. Ela teria alguém, ainda que brigados.
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Se ele não a quer mais, porque insiste em aparecer? Será que um dia ela finalmente achará alguém que valha a pena? Será que a solidão será sua companhia até os últimos dias de sua vida?
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Ela precisava de alguém para amar.
posted by mente inconstante at 15:47 5 comments

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Orgulho

Então fica esse silêncio. Eu de um lado e você de outro. Sabe lá onde estamos. Você pode estar tão longe. E eu querendo estar tão mais perto. Mas não dou o braço a torcer. Você deveria chegar. Você deveria dizer a primeira palavra. Mas quem disse que há regras? Ninguém deveria nada. Ainda que eu deseje do fundo de meu coração que você pense que me deve algo. Nem que esse algo seja apenas um mero pedido de desculpas.
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posted by mente inconstante at 19:58 2 comments

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Cada palavra por ele dita ardia minha pele, martelava meu coração e fazia com que eu percebesse a realidade ao meu lado nunca antes notada: ela era mais bela que eu. Mais graciosa e engraçada. Tinha um sorriso que iluminava os cantos por onde passava e eu nem de longe era tudo que ela era. De certa forma, eu sempre gostei de ter uma amiga que parava o trânsito. Isso dava a ela passe livre no que quisesse fazer ou para onde quisesse ir. E eu, como amiga inseparável que era, ganhava passe livre também só por amiga dela ser. No entanto, quando o assunto é garoto, o passe livre aparentemente não funciona. Ele queria minha amiga e não eu. Não se ganha passe livre nessas situações. Eu fiquei sem falar com ela por alguns dias. Eu, magoada e ela, confusa. Afinal, ela não tinha culpa. Não sabia o que, sem querer, tinha feito. Como explicar a ela que sua perfeição, que até então nunca me incomodara, agora me fazia nem mais olhar em seu rosto? "Ela não tem culpa", eu dizia incansavelmente a mim mesma. Mas como é duro lutar contra tanta perfeição!
Alguém me sugere um título para esse post? :)
posted by mente inconstante at 14:42 6 comments

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Palavras desabafadas em vácuos de sons perdidos no ar entre nós

Há um desejo se formando dentro de mim, há tanto tempo que já entra em estado de ebulição, soltando vapores de água quente, querendo apenas o teu toque para esquentar-me ainda mais. Não busco acalmar-me, entregando todo meu amor à frieza de sentimentos não-intensos e que não me provocam nada além de ressentimentos. Ah, jovem rapaz, não basta mais que meus olhos te vejam, já que as tuas palavras não são captadas em silêncios, vácuos de sons que só separam essa moça tímida de ti. Jovem donzela que de tão acanhada não consegue nem sustentar teu olhar. Ah, jovem galante não se engane pelas aparências, porque ela pensa em ti, por mais que a ti não pareça. Com tanta força que dói o peito. Contrai os músculos de um órgão que não quer saber de nada além de amar. A vontade que tenho é aproximar minha pele da tua para nos comunicarmos pelo toque, sem ter que testar minha tão latente timidez. As palavras não são ouvidas, embora sejam escritas. O medo de perder-te é tamanho que só desaparece quando te vejo. Contigo à minha vista, a coragem de fazer algo esvanece. Receio de ouvir o que temo. Covarde covardia.
posted by mente inconstante at 20:36 6 comments

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Dois corpos, um só desejo

Somos ambos de um mesmo signo. O mais orgulhoso de todos (:leão). E nossos corpos paralelos não se movem justamente pelo orgulho. (Orgulho, por que, meu Deus, se nos queremos?) Então, ficamos ali parados como pedras. Dois seres inanimados. Não há dois corações batendo? Mas, de repente, você que estava virado para leste vira seu corpo para oeste e eu, que estava para oeste, viro meu corpo para leste. Estamos com os rostos de frente um para o outro agora, mas com uma distância que ainda incomoda. (Por que tão longe?) Até que a cena muda. Você, que estava tão longe, chega mais perto, mas eu continuo firme como uma rocha (embora por dentro já comece, sim, a derreter como manteiga). Você toca meu rosto com seus dedos macios, acariciando as maçãs de minha face. Eu fecho os olhos, satisfeito com a sensação quente de seu toque em minha face fria. Quando abro os olhos, vejo você me olhando de uma forma que, até então, eu jamais havia visto em você antes. Suas mãos em meu rosto passam para a minha nuca. Seus braços em meus ombros, nos aproximando ainda mais. Eu não aguentei. Meu coração derreteu de vez. Eu lhe beijei. Nós, por fim, nos entregamos.
posted by mente inconstante at 20:09 5 comments

sábado, 15 de maio de 2010

Trágico fim

Suas mortes me assombram. Pesam sobre meu corpo. Não pude seguir a luz. Algo ainda me prendia a Terra. E eu vi o que a consequência de minhas escolhas e de minha própria morte causou: mais mortes. Meu assassino, aquele a quem eu tanto amei um dia, morrera com seu próprio veneno. O mesmo que me trouxe até aqui. Ele teve alucinações, assim como eu mesma tive. Ainda pude ouvir suas últimas palavras. Elas clamavam por perdão. Quase pude acreditar em seu arrependimento. No entanto, o que ainda me prendia a esse planeta não era ele e sim um coração que não soube ter esperanças. Não conseguiu imaginar um futuro longe de mim. Eu vi a cena de seu fim trágico. Solucei. Lágrimas invisíveis de uma alma sem corpo. Tentei impedi-lo de cometer um suicídio. Sim, foi isso que levou meu amor à morte: um suicídio. Entretanto, não fui capaz de salvá-lo. Ele só conseguia recordar nosso último momento juntos. Um último momento somente meu e dele. E agora também de vocês:
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Segundos antes de sua morte, ele lembrou de meu último sorriso. Suas últimas palavras. Nosso último beijo. Não era para ser assim.
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- Você promete que nós vamos ficar juntos? Não importa o que aconteça. – eu lhe fiz prometer, dias antes de meu assassinato.
- Sim, eu prometo.
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Não precisou de muito tempo. Ele deu um tiro na boca, naquela última noite. Lembrando da promessa estúpida que eu lhe fiz prometer cumprir em nosso último momento juntos. Trágico dia. E foi o fim. Todos nós morremos, mais cedo ou mais tarde. No entanto, para nós três foi cedo demais.
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posted by mente inconstante at 15:59 6 comments

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Doce beijo da morte

Sinto seus lábios beijando as feridas de meu corpo. Eu não podia lutar contra o efeito de tão eficaz veneno. E mesmo que fosse possível, eu não o faria, porque no fundo eu não queria continuar vivo sem ela. Reconheço. Agi por impulso. A vingança me contagiou de tal forma que não há mais como remediar. Eu queria que aquele veneno me matasse, lentamente. Era exatamente o que eu merecia. Talvez até mais. Ela cuida de mim agora. Doce beijo da morte.
(continua)
posted by mente inconstante at 18:55 4 comments