Apenas por pessoas de alma já formada

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Será?

Você gosta de alguém. Ele parece gostar de você também, mas não passa de uma mera suposição. Você não tem certeza a respeito. Então, fica na sua. Não diz nada. Não quer arriscar levar um fora. Alguns meses se passam e por acaso você encontra o msn dele em um perfil na internet. Você não pensa duas vezes. Adiciona e conversa com ele, por horas e mais horas. Descobre que vocês dois tem mais em comum do que (não) aparentam. (O que é uma ótima surpresa.) Cada dia que conversam, você fica mais segura, até que decide por fim se declarar e eis a decepção. Ele está namorando e o pior (pior por ser melhor) ele é fiel. Vocês não ficam, mas viram amigos. Anos se passam. Ele liga. Diz que quer se encontrar com você. Vocês nunca haviam saído juntos. Eram amigos de msn apenas. Mas você aceita ainda assim, por mais que ache estranho essa repentina saída. Vocês comem alguma coisa, conversam por horas até que, no último minuto, quando estão se despedindo, você sente o corpo dele próximo demais do seu. Ele, então, diz ter terminado o namoro (aquele bendito namoro) já há alguns meses. Ele diz isso lançando aqueles longos olhares na sua direção. É, então, quando você percebe. A saída de vocês era um encontro e você não sabia. Você olha para o chão, fingindo não perceber, mas seu coração volta a bater forte por ele. A cena congela na hora e a pergunta na sua cabeça ecoa: será que é tarde demais para tentar uma possibilidade depois de tantos anos? Você tira a cena do pause e continua. O botão 'play' precisa ser apertado. E o que você faz? Retribui o olhar, evitando pensar duas vezes, e finalmente dá aquele beijo nele. Quer saber? Nunca é tarde demais para uma segunda chance.

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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Tarde (cedo) demais

Eu esperava por ele. Ouvia, sentada na sala, qualquer barulho que finalmente indicasse que era ele que chegava. Os minutos não passavam. Meu coração acelerava com essa espera que não acabava. De repente, o barulho de carro acalmou meu coração (que parecia tranquilo demais para o que estava prestes a acontecer). Uma porta fechou. Depois de alguns segundos outra se abriu. E então pude ver finalmente seu rosto em meu campo de visão. (Seu rosto que estava tão calmo quanto o meu coração.) Ele olhou para mim, mas não disse nada. Nem "oi!", nem "tchau!", nem um "agora não". Ele sabia que não adiantava postergar. O momento finalmente chegou:
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- Nós precisamos conversar.
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Minha voz falhou ao pronunciar as três palavras tão temidas. Eu pigarriei. Ele não falou nada. Continuou mudo. Só pegou uma cadeira e sentou. Na minha frente permaneceu, calado, esperando que eu começasse. Eu comecei:
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- Você sabe que as coisas entre nós já não são mais como antes e eu já não aguento mais toda essa situação. Nós só brigamos e se eu acreditasse que há um meio de reverter toda essa situação, eu juro que não estaria fazendo isso. Mas, para mim, realmente não há mais solução para o nosso relacionamento. Nós mudamos. Eu mudei. Você mudou. Você entende, não entende?
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- Entendo. - ele finalmente falou - Você está terminando comigo.
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Meu coração se despedaçou ao ver seus olhos tristes com o rumo da nossa conversa. Ele não queria que nós terminássemos?
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- Eu não quero que nosso namoro acabe. - ele acrescentou.
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Já acabou - eu pensei. Tarde demais. Mas eu ainda sentia algo por ele e não conseguia ignorar a tristeza em seus olhos.
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- Você não quer?? - eu repeti incrédula sua afirmação.
- Não, não quero. Mas aparentemente eu sou o único.
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Eu não sabia o que dizer. Será que ele era o único? Eu ainda não sabia o que fazer. Eu não esperava tal reação. Eu teria pedido um tempo para pensar melhor (dada minha surpresa com sua reação), mas olhar aquele rosto apreensivo me cortou o coração e eu não podia me ferir ainda pedindo um tempo para pensar melhor na nossa relação. Eu só me angustiaria ainda mais com sua dor. Eu precisava dizer algo e eu posterguei mais uma vez. Eu gostava demais dele para magoá-lo.
- Então, está certo. Não acabou.
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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Cena

Eu fiz o que pude. Quando o vi naquele estado, imediatamente corri em sua direção. Tentei socorrê-lo. Reverter a situação. Fiz massagem cardíaca, respiração boca-a-boca, mas nada mudou. Nenhuma reação, nenhum batimento cardíaco. Meus esforços não foram suficientes. Quando vi que não restava mais nada a fazer, meus olhos se encheram de lágrimas. Ele havia morrido. Aquele que um dia fizera parte de mim. Aquele que eu já estava tão acostumada a ter por perto. Morto. Irreversivelmente, morto. E o pior é que parecia que somente eu me importava. Parecia que somente eu chorava sua morte. Será que ele só foi bom para mim? Não importava. Independente disso, eu chorava sua morte, porque a ausência que ele faria em minha vida era verdadeira. Ninguém ocuparia meu coração novamente. Não da forma como ele o fez. Ele preencheu todas as lacunas. Ele foi a razão da minha felicidade. E eu precisava aceitar que um dia todos nós morremos. Mas tinha que ser tão precocemente? Ele que ainda não tinha nem dois anos. Ele que ainda tinha tanto pela frente...

Dia 32 de Janeiro de 3002, o amor dentro de mim, por ti, faleceu.
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quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O primeiro

Nossas mãos paralelas. Nossos corpos em pé, de frente um para o outro. Nós não nos tocávamos. Apenas nos olhávamos. Ele com aquele olhar que sempre parou meu mundo e eu com aquela cara de quem está apaixonada, morrendo de amores. Ele tocou levemente minha mão direita com sua mão esquerda. (Eu senti um leve frio na barriga quando ele fez isso.) Depois entrelaçou nossos dedos e, com a mão direita livre, afagou meu braço esquerdo, subindo lentamente em direção ao meu rosto. (Eu senti arrepios que fui incapaz de esconder com essa subida) Depois, com carinho, ele tocou minha bochecha e eu, satisfeita com o toque, fechei automaticamente meus olhos. Eu sabia o que aconteceria a seguir e o leve frio na barriga de leve não tinha mais nada. Minhas mãos começaram a suar frio. Eu tirei minha mão direita da sua mão esquerda e abri os olhos, balançando nervosamente a cabeça. Eu olhava para baixo, me recusando a levantar o olhar e ver sua expressão confusa com a minha reação. Eu dei um passo para trás. Ele deu um passo para frente. Com a sua mão direita, ele segurou meu pescoço, nos aproximando ainda mais.
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- Olha para mim? – não era uma ordem. Era um pedido. Eu, então, vagarosamente levantei meu olhar em direção aos olhos dele.
- Você não quer? – ele me perguntou.
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Lógico que eu queria, mas o nervosismo me impedia de continuar. Ele acrescentou:
- Eu não quero forçar nada. Eu gosto demais de você para fazer algo que você não queira. Se você quiser a gente pára agora.
Eu fui incapaz de dizer algo.
- Tudo bem, então. Acho melhor nós voltarmos. – ele disse triste, nem um pouco zangado, e me deu às costas, voltando para a festa da qual nós discretamente fugimos. Foi, então, que aconteceu. Quando aquele olhar que parava meu mundo virou as costas para mim, indo embora, o nervosismo deu lugar ao desespero. EU QUERIA! Era a oportunidade pela qual eu tanto havia esperado. Como eu podia deixar que ele simplesmente me desse as costas assim? Eu chamei seu nome:
- Alê, espera!
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Ele parou. Eu corri em sua direção. (Como ele já estava distante!) Virei seu corpo para a direção do meu e não pensei duas vezes. Foi tudo tão rápido que o nervosismo foi incapaz de evitar. Eu me perdi naqueles lábios por tempo demais. Por tempo de menos. Eu não queria parar tão cedo. No início, meus dentes bateram nos dele e eu desejei parar ali mesmo. Eu não sabia o que estava fazendo. Mas, no instante em que ele segurou meu rosto com suas duas mãos, eu vi que não era apenas o seu olhar que parava meu mundo, mas o seu doce beijo também. Um gosto de chocolate com menta. O nosso (enfim, nosso) primeiro beijo. O primeiro dos muitos que viriam daquele momento em diante.

O meu primeiro beijo. O meu primeiro amor.
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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Aniversário

Hoje é o seu aniversário e você foi esquecido. Faz exatamente um ano que eu tive aquela dor de cabeça, tentando encontrar o presente perfeito para lhe dar de aniversário. Eu montei uma enorme caixa. Comprei vários presentes. Uns pequenos, outros grandes. Eu consegui montar o presente que eu tanto queria lhe dar: vários em um. E valeu a dor de cabeça. Eu não me sentiria bem se não tivesse feito assim. Programei o dia perfeito (que não foi perfeito, claro, nada na vida é perfeito, mas chegou quase lá). E hoje, depois de um ano, você foi esquecido. Nós terminamos. Você não valorizou o que tinha e hoje, quando passou por mim mais cedo, tinha aquele olhar de nostalgia. Você sentiu falta de um presente caprichado e um dia com uma programação quase perfeita e eu nem me importo. Se você não se importou comigo (quando mentiu e me fez sofrer), por que então eu devo me importar com você? (Você que não significa mais nada para mim.) O tempo passa rápido e é tão engraçado, não é, meu ex-amor? Como as coisas podem mudar tanto em um ano. Mudar para melhor. Mudar para pior. E sei que, ao menos isso, eu posso afirmar com certeza. Enquanto a sua vida provavelmente mudou para pior, a minha com certeza mudou para melhor.
:)
posted by mente inconstante at 14:39 5 comments