Apenas por pessoas de alma já formada

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Imprevisto

Um show. Lotado. Não tinha noção da quantidade de pessoas que gostavam daquela medíocre (ao menos para mim) banda. Um empurra-empurra. Eu me perdi de meus amigos fácil. Era muita gente e eu não consegui acompanhar os passos de meus colegas. Fui levada por um mar de gente e não tinha a menor ideia do que fazer para reencontrá-los. O celular funcionava, mas não tinha como ouvir nada. Não adiantaria.

- Vanessa? – Alguém chamou (GRITOU) meu nome. Quem seria?

- Você está perdida? – Ele me perguntou (GRITOU) preocupado demais para um desconhecido. Como ele sabia meu nome? Eu não sabia com quem falava, então atordoada perguntei (GRITEI). – Desculpa. Eu te conheço?

- Eu sou amigo do Marcelo. Nós nos conhecemos no bota-fora dele. Lembra?

Eu não lembrei.

- Você está sozinha?

- Eu me perdi de meus amigos. – Eu respondi sua pergunta, olhando ao meu redor. Abismada com a aglomeração ali formada. Eu ainda não acreditava na quantidade de pessoas ali presentes. – De onde toda essa gente saiu?? – Ele riu de minha indignação e não disse nada além. Apenas se aproximou de mim, próximo demais para alguém de quem eu nem sequer lembrava, e pegou minha mão, puxando-me pela multidão.

- Para onde você está me levando?

Ele não conseguiu ouvir minha pergunta. Foi, então, que eu lembrei. Entre a pergunta não ouvida e a resposta não dada, eu lembrei quem era aquele que segurava minha mão, me arrastando pela multidão. Estava incoerente demais no bota-fora do Marcelo para lembrar, mas a lembrança me veio como um insight. Ele foi meu salvador. Sim, aquele que me levou para casa, quando todos estavam bêbados demais para dirigir. Como eu pude me esquecer daquela festa?

- São eles? – ele me perguntou, apontando para um grupo de pessoas. Nós havíamos parado. Enquanto estava mergulhada em meus pensamentos, ele de alguma forma conseguiu achar um caminho menos lotado naquela multidão para conduzir-nos até ali. Eu olhei para a direção onde ele apontava. Ele repetiu a pergunta:

- São eles?

Foi, então, que eu olhei melhor e vi. Ele havia nos levado até os meus amigos. Eu não entendi.

- Como você sabia...?

Ele não respondeu minha pergunta, nem me deixou terminá-la. Será que eu não estava gritando o suficiente para me fazer ouvida? Ele apenas olhou em meus olhos (ele ainda não havia largado minha mão) e me deu um beijo (curto demais para mim).

- Você já está em boas mãos agora. – ele disse me dando outro beijo, mais curto do que o primeiro (se é que isso era possível) e me largou, voltando para o meio da multidão. Como minha memória pôde ter esquecido aquela voz? Eu não voltei para meus amigos. Minha cabeça ficou no beijo curto demais que ele me deu.

(continua)

Para a menina de beijos de gloss.

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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Rabiscos

Você viu um desenho jogado no meu pé. Caído pela brisa de ar frio que insiste em entrar e sair de meu quarto. Você tenta entender o que se passa pela minha mente, enquanto durmo pesado meu sono de beleza. Entrar nos abismos profundos de minha alma vem sendo seu desafio nos últimos meses. Porque, quanto mais a gente pensa que conhece alguém, menos a gente tem certeza que conhece. Você não entende. Eu pareço tão normal. Feliz em minha normalidade. De onde vem, então, esse meu lado agressivo que sempre aparece em meus desenhos rabiscados? Que mulher eu trago dentro de mim? Que menina violenta se esconde em minha alma? Eu já lhe esbofetei uma vez. Perdi o controle que nunca verdadeiramente tive. Você deveria ter medo de mim. Mas, pelo contrário, procura cada vez mais sombras em meu raiado dia. Você quer me corrigir. Tornar a menina violenta de dentro na menina feliz de fora. Talvez, você não queira ver que a menina por quem você se apaixonou não existe. Ela é apenas um disfarce da menina violenta que reside dentro de mim. Não a nada a corrigir. Essa é quem eu sou. Não adianta insistir.
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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Sick bastard

Ela usava roupas largas, óculos fundo de garrafa, cabelos presos. Não havia nada nela que chamasse atenção fora o fato de ela não chamar atenção alguma. Sem roupas de marca ou joias exageradas. Ela se sentia segura daquela forma. Andava despreocupada até mesmo nos becos mais escuros por onde obrigatoriamente tinha que passar.
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Naquele dia, ela estava mais feliz do que normalmente estaria. Havia comprado, a duras prestações, o fone de ouvido perfeito: de alta tecnologia e quase imperceptível de tão pequeno. Não era ligado a fios e nem era parecido com uma nave espacial para orelhas. Nos becos escuros por onde andava, ninguém perceberia sua nova aquisição. Não roubariam algo que nem sequer conseguiam ver.
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Eram mais de onze horas da noite. Um pouco mais tarde que seu horário normal. Ela já estava habituada a andar ali, então não sentia medo, mesmo àquele horário. Já fazia parte de sua rotina. Não tinha como escapar. Não existia outro caminho, senão aquele.
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Ela caminhava lentamente, ouvindo suas músicas favoritas. Pensava em seus planos para aquela noite: nenhum. Chegaria em casa, tomaria um bom banho e cairia na cama. Ela dormiria. Fora um dia cansativo e demasiadamente monótono. A única coisa que salvou suas últimas vinte e quatro horas foi o perfeito fone de ouvido. Apenas sua nova aquisição lhe dava motivos para se sentir feliz.
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Ela andava despreocupada. Não havia ninguém por perto. (Não sabia se era melhor estar sozinha ou acompanhada.) Até que, em um instante, tudo mudou. Ela de repente sentiu um frio na barriga ao notar sua sombra se mesclar à outra. Ela não estava mais sozinha. Alguém se aproximou, perto demais para aquela hora da noite. Ela tentou correr. Seu instinto falando mais alto. Era tarde demais para alguém pedir informações. Ele não queria informações. Ele queria mais.
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Ela não conseguiu ser veloz o suficiente. Ele a agarrou mais rápido. Ela não conseguiu escapar. Seu óculos fundo de garrafa, sem o qual não conseguia ver absolutamente nada, se perdeu com o movimento. Ela gritou, mas não havia ninguém na rua para ajudá-la. Ela estava sozinha com aquele que agora a atacava. Ela gritava, mas nem mesmo ela ouvia coisa alguma. Não ouvia os próprios berros, tampouco os berros alheios. O fone de ouvido mostrando serviço, fazendo juz ao seu valor. A música que ouvia era uma de suas favoritas. Ela odiaria aquela música para sempre.
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Ele foi cruel em sua brutalidade. Rasgou rapidamente as roupas que ela trajava. Ele segurava os braços da menina com força. Ela podia sentir sua pele rasgando. O sangue escorrendo. O chão áspero machucando suas costas. Chão sujo, de certo. Tão sujo quanto aquele homem. Tão sujo quanto aquela cena.
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Ela não conseguia ver nada. Não via nada sem seu óculos. Ela só podia sentir. A dor possuía seu corpo e ela nem podia ver a cara de seu agressor ou ouvir as palavras de certo nojentas que ele dirigia a ela.
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Ela tentava afastá-lo com suas fracas pernas. Não era o bastante. Houve um momento em que ela simplesmente desistiu. A força se esvaiu de tal forma que seu corpo desfaleceu. Foi tudo violento demais para ela.
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Algum tempo depois (tempo demais, tempo de menos, não se sabe ao certo), encontraram seu corpo desmaiado, abandonado no cenário de seu brutal estupro. Ele a violentou e a deixou com vida, mas sem orgulho algum. O trauma foi grande demais.
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Ela sentia nojo de si mesma. Não conseguia mais olhar no espelho. Não queria que ninguém a tocasse. Ela não conseguiu sair de casa por um bom tempo. Ela não permitia que as pessoas sequer se aproximassem dela. A vida de repente perdeu todo sentido para ela que nunca pediu nada da vida além de uma vida comum, sem grandes eventos, sem grandes façanhas.
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Ele devia estar solto por aí. Ela sentia raiva dele. Como alguém pode ser doente o bastante a ponto de obter o que quer à custa do sofrimento alheio?
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Ela não andou mais em becos escuros, nem comprou mais nada a prestações. Ela não ouviu mais música. Ela nunca mais foi a mesma.
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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Além

Abro os olhos. Não vejo nada. É tudo tão escuro! Onde estou? Não sinto meu coração pulsando. Nenhuma batida sequer. (Será o efeito do que você fez a mim?) Minhas pernas estão paralisadas. Não consigo me mover. Continuo a não ver um raio de luz sequer. Se eu fizer um esforço a mais e tentar andar, será que chegarei mais perto ou mais longe? (Mais perto ou mais longe de quê, afinal?) Ah, some escuridão! Eu não estou pedindo. Estou mandando. Faça-me ver algo, porque essa cegueira momentânea é incômoda demais para quem não sabe onde está ou que está acontecendo.
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- Não vá!
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Eu conheço essa voz. É você? Mas ainda não enxergo um palmo à minha frente. Como posso saber? Eu ainda ouço. Ao menos isso ainda sou capaz de fazer. Ouço sua voz ao longe. Onde está você?
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- Desculpa esse burro. Desculpa tudo o que eu fiz você passar. Eu sei que você pode me ouvir. Não faz isso comigo!
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De repente, sinto uma pontada no coração e sinto-o batendo, ainda que fraco, praticamente sem força alguma. Ele voltou a bater. O meu coração. Batendo de novo (ainda que fraco) pelo burro que agora me pede perdão. É, é com você mesmo que eu estou falando. Você me fez sofrer tanto! Quase desejo voltar no tempo para não pedir tão veementemente que eu veja algo na minha frente. Não quero que os meus olhos se iluminem, porque não quero que eles vejam você. O coração de certo voltaria a bater forte e não quero que ele volte a desperdiçar meu tempo com quem não merece. Sinto uma mão afagar meu rosto.
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- Eu te amo.
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Agora segura minha mão.
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- Eu te amo muito mais do que você imagina. Não vá embora sem me dar a oportunidade de te dizer isso.
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Ah, a vontade que tenho agora é de gritar. E grito. "Tira essa mão de mim! Você não tem direito nenhum de fazer isso comigo. Não quero ouvir mais nenhuma de suas mentiras!" Mas não consigo fazer minha voz ecoar. Por mais alto que eu tente, parece não ser suficiente. Percebo que assim como meus olhos não veem e minhas pernas não se mexem, eu também não consigo falar. Nem um sussurro sequer. O que está acontecendo? A dor da impotência é grande demais. Eu pareço estar presa, mas onde? Até que vejo uma luz. Clara demais no meio dessa escuridão. E meus sentidos voltam. Eu não tento falar, mas tento andar e consigo. Da mesma forma como agora consigo ver, eu ando. Ando em direção à luz. (Eu preciso ver o que há depois da luz e, o mais importante, eu quero ver!) A cada passo que dou meu coração bate mais lento. E a voz? Quase não a ouço mais.
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- Enfermeira! Enfermeira! Liah, não faz isso comigo! Não me abandona! Enfermeira!
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E o fim chega (ou seria o começo?). Meu coração pára, eu atravesso a luz e me despeço. Meus olhos se abrem uma só vez e não mais se fecham. Você olha nos meus olhos. Mas não sou mais eu. É apenas o meu corpo. Eu já fui embora. Mas de alguma forma ainda senti, no meu último segundo de vida, sua lágrima quente no meu rosto e o gosto salgado dela nos meus lábios, quando você, um último beijo, me deu. O nosso último beijo. O único gesto seu de adeus que minha alma foi capaz de sentir. Eu me uni à claridão eterna. Desapareci. E você eu nunca mais vi. Meu paraíso. Seu inferno. Meu único jeito de me perder de você.
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terça-feira, 27 de outubro de 2009

Ele

Ele vai chegar a qualquer momento. Você espera por ele em uma escada qualquer. Sentada, tamborila os dedos, ansiosa, aguardando aquele olhar. O olhar que acalma seu mundo. Da única pessoa que parece lhe entender. Ele conhece bem você. Sabe tudo que se passa pela sua cabeça e sabe exatamente como você é. A ansiedade só parece crescer. Ele não chega. Você quer vê-lo antes que o sentimento dentro de você se agrave. O sentimento de ódio dentro de você cresce e você não tem força alguma para combatê-lo, senão a dor. Você quer chorar. Chorar por depender tanto de quem não lhe dá valor. Você se pergunta se tanto sofrimento vai lhe levar a algum lugar um dia. Não adianta forçar. O problema está na mente. Na sua ou na dele. Não importa. Não dá para modificar. Se for a sua, talvez. Se for a dele, provavelmente jamais. A mente é um troço difícil de demais de alterar. Então, ele aparece (finalmente). Não quem te atormenta, mas aquele que sempre consegue lhe acalmar. Ele olha nos seus olhos e entende, sem sequer perguntar, que há algo errado com você. Ele não fala "oi", nem pergunta "o que aconteceu?". Ele apenas lhe abraça e é, então, quando você percebe que não há melhor conforto do que o abraço de um amigo.
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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Por que você escreve?

Eu escrevo, porque sentir apenas não é mais suficiente. Meu interior de uns tempos para cá ficou exibido. Está querendo mostrar, para Deus e o mundo, tudo o que está sentindo e me perturba caso não coloque para fora o que está dentro dele escondido. Vê se eu posso com isso? Meu interior não atura mais segredos, nem tampouco repressões. Quer que eu exponha tudo e como eu brigo com ele por isso! "Não dá para expor tudo. Há alguns segredos que não podem ser desfeitos." Então, chegamos a um acordo. Vez ou outra, para espantar os fantasmas que assustam meu interior ou para estender certos momentos de euforia, eu escrevo e realizo e eternizo e dramatizo tudo que meu interior deseja. Mas a maioria das vezes eu apenas invento e fantasio e imagino e contraceno com sentimentos que não são dentro de mim contemporâneos ou constantes, nem tampouco reais. Assim fica melhor esconder meus segredos. Criando dois mundos paralelos, um real e um fictício, que se mesclam tanto às vezes em um só texto que é quase impossível discernir a fantasia da realidade.
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terça-feira, 13 de outubro de 2009

Submersa

Espero um elevador que não vem. Demora demais. Não aguento a espera, então pego as escadas. Desço correndo os degraus entre o sexto e o primeiro andar. "Boa tarde!", digo ao porteiro. "Boa tarde, senhorita!", ele me responde de volta. Quando coloco os pés para fora do prédio percebo que começa lentamente a chover. "Droga!", eu digo a mim mesma, puxando o capuz de meu salvador: o casaco que minha mãe insistiu que eu colocasse. "Que frio!", reclamo sozinha, grata à preocupação exagerada de minha mãe. Automaticamente ponho as mãos dentro dos bolsos de meu salvador e atravesso a avenida. O mar parece agitado. O mp3 está devidamente coberto. Não será danificado pela chuva mesmo que ela se intensifique. Então, começo. Faço o que sempre me ajuda a fugir do mundo. Corro. Sozinha graças à chuva que há pouco começou. Ao menos disso não posso reclamar. Preferia estar o mais sozinha possível, sem o risco de encontrar quem quer que fosse para atrapalhar minha solidão. Já havia me alongado o suficiente em casa (prefiro me alongar em casa), então, sem receio, começo. Um, dois, três, quatro... Conto metalmente o ritmo de meus passos corridos e aos poucos meus pensamentos se perdem na contagem. Vagam para bem longe dali. A música parece não ser distração suficiente. Meus pensamentos insistem em correr para o mesmo assunto. Aquele de ontem, de hoje, de sempre: você. Seu rosto vem à minha mente e meu coração acelera ainda mais. A corrida passa a não ser mais sozinha o motivo de meu acelerado batimento cardíaco. Inspira, expira, inspira, expira. Meu Deus, é apenas um pensamento. Ele não está aqui realmente. Acalma coração! Inspira, expira, inspira, expira. Um, dois, três, quatro... dez... vinte... trinta... Volto à contagem, mas, de repente... o que é isso? Meus pensamentos se perdem novamente. Meu rosto está úmido?! Tenho certeza de que não devia estar assim. Quase não transpiro, porque a brisa fria me impede. No entanto, ainda assim, sinto água em meu rosto. O capuz de meu casaco parece não estar sendo suficiente. A música em meu mp3 muda para uma mais lenta e, então, percebo. Não é a água da chuva, nem meu suor, e, sim, as lágrimas de meu choro, abafado pela música de meu mp3, que molham meu rosto. Ah, a saudade! É por isso que agora choro. Tanto tempo se passou, mas ainda sinto sua falta, meu amor. Se você não estivesse longe, com certeza, estaria ao meu lado, agora, com aquele sorriso que sempre iluminou meu dia, contando de certo uma daquelas piadas bobas que eu sempre odiei ouvir. Mas agora até delas eu sinto falta, porque tudo em ti, porque tudo que você fazia ou dizia me provoca uma falta danada. Como eu sinto tua falta, meu amor. Sei que estou sendo repetitiva. A corrida definitivamente não está surtindo o efeito desejado. Eu não consigo parar de pensar em você. Ainda não superei a nossa separação. Dói menos, é claro. O tempo tem desses truques. Faz a gente se acostumar com a dor. Essa dor que nos últimos meses foi minha companhia constante. Essa dor que já me trouxe tantas lágrimas... Desisto! Abandono o calçadão e corro em direção à praia. Desligo o mp3. Tiro os fones de ouvido. O barulho das ondas misturado com o da chuva e do vento frio é bem melhor que as músicas de meu mp3. Correr na beira da praia é bem melhor que no calçadão também. Um, dois, três, quatro... dez... vinte... De repente, paro para fitar o mar. O sol estaria se pondo no horizonte agora, se o dia não estivesse tão nublado. Olho ao meu redor. Tão poucos na praia. Então a ideia. "Eu não posso fazer isso", digo a mim mesma, tentando reprimir o impulso. Vai me causar um resfriado de certo. Tiro o casaco junto com o mp3. Ele, o mar, me chama. Não consigo ignorar. O vento cessa. O mar se acalma. É um convite. Nada mais penso. Apenas tiro meu tênis e minha calça de corrida. Eu estou de biquini por baixo, mas não tiro a camiseta, apenas a calça e entro. Água fria. Fria demais. Mas com o tempo o corpo se acostuma com a temperatura baixa. Posso quase ouvir os berros de minha mãe ao ver essa cena. Posso quase ouvir os seus risos, meu amor, orgulhoso de minha ousadia. E agora eu posso quase ver minha libertação um dia. O por do sol se mostra fraco no meio de tantas nuvens. Eu, por fim, fujo. Eu não sou eu. Eu sou apenas uma garota no mar observando o sol se por. Sem sofrimento, sem dor, sem amor. Eu não sou eu. Eu sou a flor que insiste em florescer em meio ao estrume. Eu sou o por do sol em meio às nuvens de um dia nublado. Eu fui a garota que morreu afogada admirando um por do sol que não existia. Eu não sou mais. Eu apenas fui. Fui o que jamais vou ser novamente. Eu não nadei. Não tentei. Eu simplesmente desisti. Quando a correnteza é forte demais, fica difícil achar um caminho de volta. Eu não dei "adeus". Eu simplesmente sumi.
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domingo, 11 de outubro de 2009

Ausência

Eu sentia sua falta. Eu queria aparecer novamente. Mostrar que eu não estava morta como aparentava estar. Eu sempre gostei muito dele. Continuava gostando. Mas o tempo estava apertado. Sim, eu sei. Se gostasse realmente não sumiria desse jeito. Mas juro que andava realmente ocupada. Eu pensei em dar as caras. Uma vez que fosse. Cheguei até a pegar o telefone, mas não demorei muito com ele na mão. Eu desisti. "Quando tiver mais tempo. Menos apressada será com certeza melhor." Eu pensei alto, conversando baixo comigo mesma. Eu fiz isso uma segunda vez. Uma terceira, quarta, quinta, mas nunca em nenhuma delas eu cheguei a ligar. Os dias foram passando e quando dei por mim o tempo ausente já havia sido grande demais. Eu não sabia mais como voltar. Será que ele se importaria a essa altura? Tanto tempo distante. Será que ele chegou a sentir minha falta? Eu dei as caras.
- Oi, eu sei que já faz muito tempo. Tantos dias sem aparecer. Eu pensei em voltar várias vezes. Juro. Mas eu estava tão ocupada. Será que ainda faz diferença minha presença aqui? Você ainda se importa? Você aceita meu pedido de desculpas? Dessa vez eu juro que voltei para ficar.
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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Será?

Você gosta de alguém. Ele parece gostar de você também, mas não passa de uma mera suposição. Você não tem certeza a respeito. Então, fica na sua. Não diz nada. Não quer arriscar levar um fora. Alguns meses se passam e por acaso você encontra o msn dele em um perfil na internet. Você não pensa duas vezes. Adiciona e conversa com ele, por horas e mais horas. Descobre que vocês dois tem mais em comum do que (não) aparentam. (O que é uma ótima surpresa.) Cada dia que conversam, você fica mais segura, até que decide por fim se declarar e eis a decepção. Ele está namorando e o pior (pior por ser melhor) ele é fiel. Vocês não ficam, mas viram amigos. Anos se passam. Ele liga. Diz que quer se encontrar com você. Vocês nunca haviam saído juntos. Eram amigos de msn apenas. Mas você aceita ainda assim, por mais que ache estranho essa repentina saída. Vocês comem alguma coisa, conversam por horas até que, no último minuto, quando estão se despedindo, você sente o corpo dele próximo demais do seu. Ele, então, diz ter terminado o namoro (aquele bendito namoro) já há alguns meses. Ele diz isso lançando aqueles longos olhares na sua direção. É, então, quando você percebe. A saída de vocês era um encontro e você não sabia. Você olha para o chão, fingindo não perceber, mas seu coração volta a bater forte por ele. A cena congela na hora e a pergunta na sua cabeça ecoa: será que é tarde demais para tentar uma possibilidade depois de tantos anos? Você tira a cena do pause e continua. O botão 'play' precisa ser apertado. E o que você faz? Retribui o olhar, evitando pensar duas vezes, e finalmente dá aquele beijo nele. Quer saber? Nunca é tarde demais para uma segunda chance.

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domingo, 20 de setembro de 2009

Amor da minha vida

Minha respiração acelera. Meus olhos se enchem de lágrimas. O vazio dentro de mim lateja e eu já não consigo mais dormir. Eu viro de um lado para o outro e apenas uma solução me vem à cabeça: você. Você que eu ainda nem conheço, mas que sei que existe. Sei que anda por aí tão sozinho quanto eu. Que também perde o sono tentando expulsar do pensamento a vontade que lateja dentro da gente. A vontade de amar e ser amado. A vontade de pertencer à alguém e saber que apenas o nosso amor será a solução. A solução de toda essa tristeza e desse buraco que parece que nunca será preenchido.
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- Você tá com uma cara abatida. – ele me disse. – O que aconteceu? – ele me perguntou.
- É que eu sinto tua falta. – eu, triste, respondi.
- Mas você nem me conhece. – ele não entendeu.
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- Não ainda. Mas eu sei que você está por aí em algum lugar.
- Como você pode ter tanta certeza? – ele ainda não acreditava na minha aparente convicção.
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- Eu não tenho, mas eu preciso acreditar que você existe e que um dia vai me fazer a mulher mais feliz desse mundo. Caso contrário, fica difícil. Viver em um mundo sem esperanças não é viver para mim.
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- Você precisa de mim. – ele afirmou, não era uma pergunta, mas eu, mesmo assim, respondi – Sim, preciso.
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- Esse teu rostinho abatido acaba comigo. – ele falou olhando no fundo dos meus tristes olhos.
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- Então, aparece e me faz feliz. Viver nessa eterna procura não me faz nada bem.
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- Eu prometo que vou aparecer. – ele parecia sincero.
- E eu prometo que vou esperar. – eu precisava acreditar.
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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Tarde (cedo) demais

Eu esperava por ele. Ouvia, sentada na sala, qualquer barulho que finalmente indicasse que era ele que chegava. Os minutos não passavam. Meu coração acelerava com essa espera que não acabava. De repente, o barulho de carro acalmou meu coração (que parecia tranquilo demais para o que estava prestes a acontecer). Uma porta fechou. Depois de alguns segundos outra se abriu. E então pude ver finalmente seu rosto em meu campo de visão. (Seu rosto que estava tão calmo quanto o meu coração.) Ele olhou para mim, mas não disse nada. Nem "oi!", nem "tchau!", nem um "agora não". Ele sabia que não adiantava postergar. O momento fnalmente chegou:
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- Nós precisamos conversar.
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Minha voz falhou ao pronunciar as três palavras tão temidas. Eu pigarriei. Ele não falou nada. Continuou mudo. Só pegou uma cadeira e sentou. Na minha frente permaneceu, calado, esperando que eu começasse. Eu comecei:
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- Você sabe que as coisas entre nós já não são mais como antes e eu já não aguento mais toda essa situação. Nós só brigamos e se eu acreditasse que há um meio de reverter toda essa situação, eu juro que não estaria fazendo isso. Mas, para mim, realmente não há mais solução para o nosso relacionamento. Nós mudamos. Eu mudei. Você mudou. Você entende, não entende?
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- Entendo. - ele finalmente falou - Você está terminando comigo.
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Meu coração se despedaçou ao ver seus olhos tristes com o rumo da nossa conversa. Ele não queria que nós terminássemos?
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- Eu não quero que nosso namoro acabe. - ele acrescentou.
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Já acabou - eu pensei. Tarde demais. Mas eu ainda sentia algo por ele e não conseguia ignorar a tristeza em seus olhos.
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- Você não quer?? - eu repeti incrédula sua afirmação.
- Não, não quero. Mas aparentemente eu sou o único.
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Eu não sabia o que dizer. Será que ele era o único? Eu ainda não sabia o que fazer. Eu não esperava tal reação. Eu teria pedido um tempo para pensar melhor (dada minha surpresa com sua reação), mas olhar aquele rosto apreensivo me cortou o coração e eu não podia me ferir ainda pedindo um tempo para pensar melhor na nossa relação. Eu só me angustiaria ainda mais com sua dor. Eu precisava dizer algo e eu posterguei mais uma vez. Eu gostava demais dele para magoá-lo.
- Então, está certo. Não acabou.
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quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Vodu

De tudo que você me desejou, eu não te desejo o dobro. Eu desejo o contrário. Desejo que você abandone os velhos hábitos. Abra as janelas. Deixe as portas escancaradas. Saia de casa. Faça uma caminhada (pelo menos uma por dia). Molhe os pés na água da praia. (Suje-os de areia.) Não se preocupe tanto com o relógio. Conheça novas pessoas. Não só aquelas que concordam contigo em teus ideais e lutas. Não. Conheça pessoas que batam de frente contigo (que te façam pensar). Sorria. Isso você pode (e deve!) fazer várias vezes ao dia. Rir simplesmente porque quer e não para agradar os outros. Abra as mãos. Ande de mãos dadas com alguém. Seja um pouco mais inconsequente. Aprenda a ver a beleza que há nas pequenas coisas. Seja feliz! Isso é o mais importante. Porque, enquanto você quer o meu mal, eu só quero que você abandone esse bonequinho de vodu das suas mãos e seja feliz. Não se engane. Não há real felicidade na infelicidade alheia. Irônica, eu? Imagina! Eu só aprendi que o contrário de amor, meu querido, não é ódio e sim, INDIFERENÇA.
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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Cena

Eu fiz o que pude. Quando o vi naquele estado, imediatamente corri em sua direção. Tentei socorrê-lo. Reverter a situação. Fiz massagem cardíaca, respiração boca-a-boca, mas nada mudou. Nenhuma reação, nenhum batimento cardíaco. Meus esforços não foram suficientes. Quando vi que não restava mais nada a fazer, meus olhos se encheram de lágrimas. Ele havia morrido. Aquele que um dia fizera parte de mim. Aquele que eu já estava tão acostumada a ter por perto. Morto. Irreversivelmente, morto. E o pior é que parecia que somente eu me importava. Parecia que somente eu chorava sua morte. Será que ele só foi bom para mim? Não importava. Independente disso, eu chorava sua morte, porque a ausência que ele faria em minha vida era verdadeira. Ninguém ocuparia meu coração novamente. Não da forma como ele o fez. Ele preencheu todas as lacunas. Ele foi a razão da minha felicidade. E eu precisava aceitar que um dia todos nós morremos. Mas tinha que ser tão precocemente? Ele que ainda não tinha nem dois anos. Ele que ainda tinha tanto pela frente...

Dia 32 de Janeiro de 3002, o amor dentro de mim, por ti, faleceu.
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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Diálogo

- Tu tá bem? - alguém me perguntou.
- Eu pareço bem? - eu não respondi.
- Tu parece melhor. - ele me analisou.
- Melhor de quê? - eu não entendi.
- Melhor de mim.
- Melhor de ti?? Quem és tu? - eu não sabia com quem falava.
- Eu sou a saudade.
- Ah, bem que eu desconfiei dessa dor incômoda dentro de mim...
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terça-feira, 8 de setembro de 2009

Amor-próprio

Somos como uma obra de arte. Precisamos amar o que fazemos e do que na obra tem de nosso para podermos esperar que os outros a amem também. Somos nossa própria obra de arte que, só com amor alheio, nunca será plenamente feliz. É preciso amor próprio. Amar a nós mesmos até ao reconhecer que não somos perfeitos. Tentar excluir o que há de mal em nós e, com o que sobrar, fazer nossa obra-prima. Julgamos tanto os outros que esquecemos que ninguém é feito de defeitos apenas. Pensamos tanto no que temos de ruim que esquecemos nossas qualidades. Olhamos tanto para os outros que esquecemos de nós mesmos. Esquecemos de nos amar. Sem amor pelo que temos desvalorizamos nossa obra. Deixamos pessoas que também não a valorizam maltratá-la. É preciso amor próprio. É necessário para não vendermos a preço de banana uma obra única chamada VOCÊ MESMO.

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quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O primeiro

Nossas mãos paralelas. Nossos corpos em pé, de frente um para o outro. Nós não nos tocávamos. Apenas nos olhávamos. Ele com aquele olhar que sempre parou meu mundo e eu com aquela cara de quem está apaixonada, morrendo de amores. Ele tocou levemente minha mão direita com sua mão esquerda. (Eu senti um leve frio na barriga quando ele fez isso.) Depois entrelaçou nossos dedos e, com a mão direita livre, afagou meu braço esquerdo, subindo lentamente em direção ao meu rosto. (Eu senti arrepios que fui incapaz de esconder com essa subida) Depois, com carinho, ele tocou minha bochecha e eu, satisfeita com o toque, fechei automaticamente meus olhos. Eu sabia o que aconteceria a seguir e o leve frio na barriga de leve não tinha mais nada. Minhas mãos começaram a suar frio. Eu tirei minha mão direita da sua mão esquerda e abri os olhos, balançando nervosamente a cabeça. Eu olhava para baixo, me recusando a levantar o olhar e ver sua expressão confusa com a minha reação. Eu dei um passo para trás. Ele deu um passo para frente. Com a sua mão direita, ele segurou meu pescoço, nos aproximando ainda mais.
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- Olha para mim? – não era uma ordem. Era um pedido. Eu, então, vagarosamente levantei meu olhar em direção aos olhos dele.
- Você não quer? – ele me perguntou.
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Lógico que eu queria, mas o nervosismo me impedia de continuar. Ele acrescentou:
- Eu não quero forçar nada. Eu gosto demais de você para fazer algo que você não queira. Se você quiser a gente pára agora.
Eu fui incapaz de dizer algo.
- Tudo bem, então. Acho melhor nós voltarmos. – ele disse triste, nem um pouco zangado, e me deu às costas, voltando para a festa da qual nós discretamente fugimos. Foi, então, que aconteceu. Quando aquele olhar que parava meu mundo virou as costas para mim, indo embora, o nervosismo deu lugar ao desespero. EU QUERIA! Era a oportunidade pela qual eu tanto havia esperado. Como eu podia deixar que ele simplesmente me desse as costas assim? Eu chamei seu nome:
- Alê, espera!
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Ele parou. Eu corri em sua direção. (Como ele já estava distante!) Virei seu corpo para a direção do meu e não pensei duas vezes. Foi tudo tão rápido que o nervosismo foi incapaz de evitar. Eu me perdi naqueles lábios por tempo demais. Por tempo de menos. Eu não queria parar tão cedo. No início, meus dentes bateram nos dele e eu desejei parar ali mesmo. Eu não sabia o que estava fazendo. Mas, no instante em que ele segurou meu rosto com suas duas mãos, eu vi que não era apenas o seu olhar que parava meu mundo, mas o seu doce beijo também. Um gosto de chocolate com menta. O nosso (enfim, nosso) primeiro beijo. O primeiro dos muitos que viriam daquele momento em diante.

O meu primeiro beijo. O meu primeiro amor.
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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Aniversário

Hoje é o seu aniversário e você foi esquecido. Faz exatamente um ano que eu tive aquela dor de cabeça, tentando encontrar o presente perfeito para lhe dar de aniversário. Eu montei uma enorme caixa. Comprei vários presentes. Uns pequenos, outros grandes. Eu consegui montar o presente que eu tanto queria lhe dar: vários em um. E valeu a dor de cabeça. Eu não me sentiria bem se não tivesse feito assim. Programei o dia perfeito (que não foi perfeito, claro, nada na vida é perfeito, mas chegou quase lá). E hoje, depois de um ano, você foi esquecido. Nós terminamos. Você não valorizou o que tinha e hoje, quando passou por mim mais cedo, tinha aquele olhar de nostalgia. Você sentiu falta de um presente caprichado e um dia com uma programação quase perfeita e eu nem me importo. Se você não se importou comigo (quando mentiu e me fez sofrer), por que então eu devo me importar com você? (Você que não significa mais nada para mim.) O tempo passa rápido e é tão engraçado, não é, meu ex-amor? Como as coisas podem mudar tanto em um ano. Mudar para melhor. Mudar para pior. E sei que, ao menos isso, eu posso afirmar com certeza. Enquanto a sua vida provavelmente mudou para pior, a minha com certeza mudou para melhor.
:)
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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Reply

"Você não entende nada da vida." Esse foi o comentário anônimo que deixaram para mim. O primeiro comentário negativo que já recebi aqui. Digo 'comentário', porque nem sequer uma crítica foi. Não deu justificativas. Não deixou nome. Não argumentou nada. Pois bem. Venho aqui (não sei se) dar uma resposta (ou simplesmente desabafar). Não diria que entendo tudo da vida, mas também não diria que "não entendo nada". Pelo menos, alguma coisa eu devo saber, não? Ao anônimo que aqui esteve e deixou essas palavras (que não me acrescentaram nada), peço apenas que, da próxima vez, argumente, se explique para, quem sabe assim, me fazer entender um pouco mais da vida da qual eu nada entendo.
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Da pessoa que não entende nada da vida, Vanessa.
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PS. Eu não apaguei seu comentário, ele ainda está onde você o deixou, viu? (vide link)
PS.2 Ah, e andaram copiando meus textos e colocando em seus blogs como se fossem seus. Gente, eu fico lisonjeada, mas não feliz. Se meu nome ou endereço estivesse junto com o texto, juro que não me importaria. Mas, assim sem nada, não é legal. O que muitos não sabem é que o meu blog é protegido pelo copyscape, então eu sei quando meus textos são postados por aí. Fica o aviso (e não ameaça), assim como uma dica para todos os blogueiros que quiserem saber se há algum texto seu em sites alheios. O endereço é
http://www.copyscape.com/. É só colocar a url do blog que o site faz todo o trabalho. Mas ele só denuncia o que está na url que vocês colocaram, ou seja, se eu colocar o endereço do meu blog ele só vai procurar os textos que estão na minha página principal. Ele não procura os dos meses anteriores. Apenas se eu colocar a url dos meses anteriores especificadas. Acho que se entrar no site dá para entender melhor.
PS. 3 Ah e que fique bem claro que eu não tenho nada contra comentários negativos no meu blog, mas acho que eu mereço pelo menos um porquê, né?
:*
posted by mente inconstante at 14:59 10 comments

sábado, 29 de agosto de 2009

E se...?

...eu me apaixonasse pelo meu melhor amigo?
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O único melhor amigo homem que eu tive não gostava muito da fruta (ou melhor, gostava da mesma fruta que eu), então nunca corri o risco de me apaixonar pelo meu bff. Mas confesso que estive pensando muito no que ocorreria, caso houvesse a possibilidade. Como a situação é completamente hipotética fica fácil dizer que eu ficaria, namoraria, casaria e teria lindos filhos com ele. Não é o sonho de todas nós, mulheres? Ter como parceiro não só um cara que beije bem, mas também saiba ouvir e entender nossa cabeça como mais ninguém poderia? Acho que o grande problema de toda essa situação é que, como todos os relacionamentos amorosos, nada é certo. Só porque ele é seu melhor amigo não significa que ele vai ser o melhor namorado também. E como saber? Apenas arriscando. Tirar a prova dos nove e ver. Agora a questão é: será que vale o risco? Se o sentimento fosse realmente forte e verdadeiro, a ponto de não ser confundido com amor de amigo, eu arriscaria. Porque, como muita gente diz por aí, é bem melhor acordar arrependida do que dormir com vontade.

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posted by mente inconstante at 17:50 10 comments

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Sou

Eu sou o mais patético de todos os seres. Eu não sou nenhuma heroína. Eu forjo realidades, absurdas em fantasias. E quisera eu ter a decência de admitir meus erros. Tenho um problema e tenho que expô-lo antes que seja tarde. Tudo que faço é rastejar e que eu tenha a coragem de fazer. Não importa o que. Dar o primeiro passo. Dar a cara à tapa. Viver ao invés de sobreviver. Tudo penso, mas nada faço. Se meu mundo fosse minha imaginação eu estaria segura o bastante para absorvida ser pelo meu pecado constante de nunca respirar esse ar puro chamado VIDA.
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posted by mente inconstante at 18:59 4 comments