Apenas por pessoas de alma já formada

domingo, 26 de julho de 2009

E se...?

...eu fosse um garoto recém-saído da barra da saia da mãe?
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Eu precisava sair de casa. Não podia mais aguentar um mês sequer. A independência já me puxava pelos pés, exigindo que eu tomasse uma decisão à respeito. A liberdade também me chamava aos berros, querendo me arrancar de uma situação que de certo não me era mais suportável. Independência e liberdade, duas palavras que eu sempre quis que constassem no meu dicionário. Meus pais tornavam minha vida um inferno desde que eu me entendo por gente e as coisas só pioraram, conforme mais velho eu fui ficando. E quando a águia aprende a voar não quer mais rastejar-se no chão. Eu estava a beira dos meus dezoito. Eu era impulsivo e determinado, diferente da minha irmã que, embora mais velha que eu, ainda morava com meus pais. Aliás, isso foi algo que eu nunca consegui compreender. Como ela pôde aguentar tanto tempo debaixo do mesmo teto que os meus pais? Faltava apenas um dia para minha maioridade. O apartamento alugado já estava escolhido e o emprego certo. Foi quando eu virei para meus pais e soltei a bomba. Eu pensei que eles não fossem ficar tão abalados como ficaram. Meu pai não esboçou emoção alguma. Creio que não esperava que tomasse tal atitude. Já minha mãe teve um ataque de nervos. Ficou brava, depois chorou rios de lágrimas, o que acabou me fazendo repensar toda aquela situação. Será que era mesmo necessário? As palavras liberdade e independência vieram automaticamente à minha cabeça. Era mesmo necessário. Então, parti. Hoje estou com meus dezoito anos, à beira dos meus dezenove. Já faz quase um ano que eu saí de casa para morar sozinho. É bom pensar nas manhãs que eu não sou mais acordado aos berros pelo meu pai. Mas, às vezes, bate a solidão e é triste acordar e não ter ninguém para dar "bom dia!". Ainda bem que eu moro em um pequeno apartamento. Seria pior lidar com a solidão morando em uma enorme casa. Eu tento visitar meus pais toda semana. E dá uma saudade! Até da chata da minha irmã que continua morando com meus pais. Ah e eu tenho saudades também da geladeira sempre cheia, ao contrário da minha que vive vazia; do cheiro de lençol recém-trocado e das roupas sempre limpas e passadas, dos carinhos da minha mãe, até da preocupação exagerada dela também. Mas creio que morar sozinho seja como tudo na vida: tem seus pontos positivos e negativos. Eu não tenho horário para voltar, nem preciso pedir nada para ninguém. E eu prefiro assim. Uma vida de saudades, mas livre e independente, à uma vida frustrada presa à regras e envolvida por brigas e discussões.

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posted by mente inconstante at 18:35

6 Comments:

Tudo tem os seus prós e contras. Essa é uma decisão bastante difícil de se tomar, e praticamente irreversível. Uma vez que se sai de casa é muito difícil voltar.
;*

27 de julho de 2009 00:19  

Nossa que texto legal, ai Vanessa você realmente é de mais, pochaa amanhã é meu aniverssario farei 18 anos, e eu não acredito que seja tamanha independencia, claro se eu trabalha-se fixo, quem sabe ne?... mas acho que ele já estava com a sua cabeça formada a muito tempo, uma coisa planejada é sempre bem elaborada, mas tem o outro lado, a nostalgia, que nos pega derrepente, mas é bom dar valor ao que se teve e ao que se tem. Só os sabios sabem desfrutar daquilo que foi e é bom na sua vida, e avaliar os negativos e aprender com eles.

27 de julho de 2009 16:51  

Lindo o texto! amei! beijos

28 de julho de 2009 00:30  

Ter 18 e morar sem os pais não são sinônimo de liberdade e independência. Já fiz dezoito, já morei longe dos pais... moro novamente com a minha mãe, ja tive vontade de sair correndo, mas, é incrível como esse texto tem uma incrível semelhança com uma coisa q aconteceu cmg ultimamente... sabe, a gnt axa q sabe oq qr da vida, mas nunca saberemos mesmo. pq a única coisa + rápida q a velocidade da luz é a velocidade das nossas mudanças. E não devemos decidir nada e tomar como decisão absoluta. Pq (é clichê mas vale) crescer é arte e mudar faz parte! Nossos pais são as unicas pessoas do planeta q nos amam incondicionamente e jamais vão mudar esse sentimento. Podem negar, mas vão continuar amando! Mas não esperam q nós os amemos da mesma maneira, se não não seriamos os filhos! Por isso é bom saber como é mudar... Mas nunca devemos fazer isso 'absolutamente'. Ao menos um pouquinho, sempre vai permanecer!

28 de julho de 2009 15:17  

Entendo exatamente, também me mudei esse ano, faz 6 meses e a geladeeira cheia, o almoço pronto, os carinho, o bom dia, até alguma discussão me fazem falta ainda.
Mas existem realmente seus lados POSITIVOS, :)

29 de julho de 2009 00:07  

Bem legal teu texto.
Gostei mesmo.
:*

29 de julho de 2009 17:53  

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