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quinta-feira, 18 de junho de 2009

Pedoe-me por não perdoar

Um grito diante do que houve. Um ato jamais perdoado. O que é digno ou não de um perdão? Você dizia que jamais me perdoaria e a esperança contida no peito me dizia que era tudo uma questão de tempo. “O tempo tudo perdoa”, ela, a esperança me dizia. Será? Hoje, fazem cinco anos desde então e o tempo aliviou a dor, cicatrizou as feridas, mas a memória ainda lembra da cena ocorrida. Tudo volta nessa maquina do tempo chamada memória. Eu queria sentir que o perdão é possível, mas quem tudo perdoa é que, com nada, se importa.* O ressentimento é o principal obstáculo para se chegar ao perdão. E o genuíno arrependimento a principal condição para recebê-lo. Todos erramos e seria difícil perceber que nao há perdão para nossos erros. O complicado é conceder um perdão quando há um orgão dentro de nós que insiste em impiedoso ser com aqueles que o maltratam. Mas, no final, a esperança talvez esteja certa. O tempo tudo perdoa. Só não venha pedir o meu perdão assim tão cedo, quando o seu erro ainda revira sem piedade meu coração.
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*Não sei se se deva perdoar sempre. Como perdoar o torturador? Como perdoar o adulto que espanca uma criança? Como perdoar a inquisição, os campos de concentração, a bomba atômica, os homens públicos que se enriquecem às custas do dinheiro do povo que sofre e morre? Quem perdoa tudo é porque não se importa com nada.

(Rubem Alves)

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posted by mente inconstante at 23:59

1 Comments:

Realmente perdoar é algo que não é fácil,mas o tempo ajuda as vezes.
Amei a parte do Rubem Alves(to amando o livro dele)

20 de junho de 2009 14:15  

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